O humilde trovador das belezas de nossa terra

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Corpo e alma

Moisés Martins

Apodreceu minha alma
faminta de fantasias
sedenta de sonhos
esturricada de ilusões .

Inerte ficou
na estrada do tempo
virou poeira levada pelo vento.
Mas exala cheiro de poesia.

Não deixe sua alma envelhecer
com o corpo!
Alimente-a
com poesias e fantasias
e mesmo ilusões .

Afinal o que é
a vida!

Pássaros

Ofendido de morte
por um balaço cruel,
o pássaro agonizante,
o pássaro agonizante,
agarrou-se a um fio de luz
olhando para seu vilão,
imitando Jesus,
cantou-lhe uma bela
e última canção

A pedrada do menino
cegou, o pobre pássaro
que conseguiu voando, no cantar chorar.
Hoje homem,
não conseguiu apagar,
das lembranças da vida
nem desapareceu do ouvido
aquele lindo e dolorido
cantar

No Vôo rasante
de peito e asas abertas
plumando docilmente
o pássaro, massageia
o vento

Não tendo como se beijarem
nem por isto, deixaram de se amarem
dois pássaros apaixonados.
Olharam-se, na carícia do olhar
cantaram canções de amor, ao trinar.
Dão as mãos batendo as asas
e vão construir um ninho !

Os pássaros
apesar de voarem
em revoadas
com muitas passaradas
vivem na solidão

Não seria o poeta , um pássaro ?
Voa nas asas das penas,
dos sonhos toma cores
no colorido das fantasias
faz da poesia um canto.
É solitário com uma multidão
de palavras !MMM/Junior



Tempo e Vento

Moisés Martins

“Este senhor vento
soprou entre os dentes da primavera
brisas refrescantes,
aplacando o calor
da senhora Terra,
no seu tempo de menopausa”

“Envelheci
na juventude do tempo,
onde minha vida
passou como vento,
rápido deixando rastros
de vento no tempo
“Nos olhos do tempo
mensagens ficaram gravadas.
Algumas graniticamente,
outras nas páginas do vento”.

Dimensões

Moisés Martins

Estou partindo para outra dimensão misteriosa,
deixando atrás muita coisa à fazer,
mas esperando que melhor você faça , se és laboriosa,
aquilo que aqui me fez fenecer.

Adentrando a caminhada prossigo sozinho,
entretanto, estarei lá tentando soerguer ,
a preparação do acasalamento de um novo ninho,
para, no aconchego do novo lar, com amor te receber.

Tenho certeza, não conseguirei ainda a tarefa terminar,
pois novas dimensões, estão a me surgir,
o retorno nas várias formas da vida a pulular,
nas perspectivas, qual teias se projetam no porvir.

Os dentes da engrenagem sempre ocupam ,
os espaços que já estiveram a ocupar,
nesta roda viva da vida ,

lhe digo não chores minha partida
é inadmissível, a morte com tantos
estágios na vida a escalar

talvez nos encontremos ,
neste percurso da sua chegada e minha saída.

Vida, morte, num circulo contidas,
figuras geométricas, perfeitas, sem fim
contendo o Universo no bojo, e as vidas,
no bojo contendo o Universo, o tudo enfim.

Onde está , o centro, o limite a periferia,
qual seu tamanho, onde começa , onde termina?
Terminas no começo do ontem que iniciaria,
ou começas no término do hoje que se finda?