O humilde trovador das belezas de nossa terra

Tchupa-Tchupa

Moisés Martins

Chegava no avião da Panair todo tocera,
Se instalava no “Grande Hoté”.
Viador digoreste,
Que nem curim-pam-pam na teipa.
Brilhantina “Roiar”no cabelo,
“SS” cento e vinte, terno branco,
Palácio das Águias, meninas do Candieiro.
Cochicho, chicho, ele chegou
De carne cô banana,
A Maria Izabé,
O maior comedô!
Óio de mamona no cabelo
Cinturita, raspa sovaco,
Oia no espeio, se apronta toda,
Prá passeá cô pau rodado.
Leva agente pro Coxipó
Chupa, chupa, esfola, esfola.
Slep, slep, que nem chicrete.
Chupa a gente que nem caju
Trepa, trepa, que nem chuchu!

Pixé

Moisés Martins

MILHO TORRADINHO SOCADO,
CANELA AÇUCARADA,
A BRANCA PURA DAQUELA GURIZADA
DO TEMPO DO CAMPO D’OURIQUE,
QUANDO A PANDOGA, O FINCA-FINCA
O BUSCAPÉ E O TRIQUE-TRIQUE
PINTAVAM O CÉU COM PINGOS DE LUZ
É TEMPO BOM
QUE NÃO VOLTA MAIS,
SÓ NA LEMBRANÇA DE QUEM FOI MENINO,
E HOJE É RAPAZ.
MILHO TORRADO BEM SOCADINHO
AH! QUE SAUDADE DO MEU TEMPO DE MENINO,
UM DIA AINDA VEREI EU TENHO FÉ
MEU NETO, MEU NETO
COM A BOCA TODA SUJA DE PIXÉ!

Letra de: Moisés Martins.

O sol tá quente prá daná; tá, tá, tá, tá.
O calor tá de matá; tá, tá, tá.
Prá refrescá, oi,
Prá refrescá, oi.
Vou me banhá nas águas do Cuiabá.

Quando mergulho nestas águas,

Sinto o corpo arrepiar,
Lembro das belas viagens,
Que eu fiz a Corumbá.

Das chalanas preguiçosas,
Regiões do pantanal,
Do doce beijo das águas,
Cuiabá e Paraguai.

Dourado peixe,
Peixe dourado,
Vai dizer prá natureza,
Devolver o meu passado.

Furrundu

Letra de: Moisés Martins.

Furrundu doce do pau,
Do pau do mamoeiro
Até parece com uma dança,
Mas é só doce caseiro.

Rala, rala, raspa, raspa.
Esse pau todo grudento.
Rala, rala, raspa, raspa,
Esse pau que é alimento.

O leite que dele escorre,
Quando o pau é decepado.
Lembra um certo caldinho,
Grudento que nem melado.

O choro do pau no leite,
Que nem sentimento tém
O leite contigo fica,
A doçura comigo vem!

Antônio Peteté

Letra de: Moisés Martins.

Manquetolava e dizia:
“só dosto de menino do Tolégio”

Antonio Peteté, Peteté, Peteté, Peteté.
Qual Chapa e cruz que consegue não lembrar.
Da vida boa da velha Cuiabá,
Que nem o tempo consegue apagá.

Qué sabê o que tenho pro cês;
Senta aqui arrodeia três vez.

Maria Taquara

Letra de: Moisés Martins.

Maria Taquara, Maria meu bem.
Mulher de todos, que não é de ninguém.
Taquara de dia, de noite meu bem,

Maria Taquara, não é de ninguém.

Muié de sordado, de Meganha também.
De dia Maria, de noite meu bem.

Maria é Cuiabá, Cuiabá é Maria
Não importa se é noite, não importa se é dia.
Maria é Taquara,
Taquara é Maria,
Avançada no tempo,
Mulher fantasia.

Tipos populares

Letra de: Moisés Martins.

Toda cidade tem seus tipos,
Cuiabá também, os tem.
Uma cidade sem eles,
Vive cheia de ninguém
A cidade vive dos que vivem nela,
Já dizia o grande locutor.
Sem eles qualquer cidade,
Seria um jardim faltando flor.
Tipos populares boêmios sem fim.
Nos bares, becos esquinas
Vivem felizes, sim!

Viva cobra fumano,
Maria Peta, Zé Bolo Flô.
Em cada esquina uma saudade.
Em cada canto uma canção de amor.