O humilde trovador das belezas de nossa terra

Cuiabá de Trancas e Tramelas

Artigos compilados e publicados no Jornal A Folha de Mato Grosso.

Minha Casa Geminada

Minha casa geminada, qual a alma do meu povo
uma porta, uma janela,
de trancas e tramela.
Testada vermeia, azul amarela.
Feita de frente pro sol poente.
Calçada alta, prá tchuva escorrê.
Uma cancela que sempre geme,
Quando tchega tchgente!
Chão batido, no canto um pôte cô a bera quebrada.
Uma foinha na parede pendurada,
Cô a fotografia de São Jorge Guerreiro
Prá nos protegê,
De quebrantu, arca-caída e mau oiádo.
Minha casa não é só casa, minha casa e um lar
De braços abertos prá quem passar
De braços abertos prá quem chegar.”     MMM/Junior

Vida e morte de Nha Tuca

Quando manuseamos a literatura Nacional, verificamos o cuidado dos autores regionais, no sentido de exortarem e tornarem conhecido os acontecimentos, mesmo que fictícios, mas que sempre tem uma pitada de verdade, daquilo que aconteceu e que está a acontecer, nas suas regiões, tornando-as desta arte conhecidas e admiradas pôr todos que dela tomam conhecimento. E parece-nos que quanto mais popular mais valor possui. Não se trata portanto a literatura regional, em debruçar-se somente na narrativa de fatos históricos, exortando heróis que nem sempre heróis são, mas de trazer a lume os acontecimentos, sonhos e fantasias que coloriram e estão a colorir nosso dia-a-dia. Nisto, eu particularmente, vejo o divisor entre o escritor que cria e fantasia e nos leva à viagens fantásticas, do historiador que, deve apenas narrar fatos e acontecimentos, sob pena de adulterá-los e distorcê-los. Quando o historiador narra a fundação de Cuiabá, não há como mudá-la, será sempre dia 08 de abril de 1719 pôr Pascoal Moreira Cabral, pois tudo que além disto narrar será elucubrações do próprio historiador, isto entretanto, não o impede de exercitar a função de escritor, se competência para isto tiver.Voltando à literatura Nacional, estamos a manusear  “A morte e a Morte de Quincas Berro d’água”, gostosa literatura, onde o escritor Jorge Amado, exorta lugares, tipos e o linguajar baiano, e a literatura explode dando-nos conhecimentos de fatos pitorescos da nossa Bahia. Sem plagiar na forma, porém com a mesma intenção temos abordado assuntos atinentes a nossa Cuiabá e Mato Grosso, procurando quebrar o academicismo que engessa e mumifica determinados tipos de literatura, onde na maioria das vezes, existe o propósito apenas de auto-exaltação do autor, contando as vantagens de cargos que nem sempre são confessáveis e que só Deus sabe como foram conseguidos. Palmilhando a trilha dos grandes escritores, temos também que possuir a coragem cívica de “botar a cara”, sem se importar com as críticas que, quando críticas são, exortam e elevam, porém quando são “futhico- tric-tric-disque-me disque”, também podem ser interpretados como inveja e falta de coragem de trazer à público o que pensa e deseja. Conheço um que, não escreve porque tem medo de ser criticado, aí cabe o ditado pantaneiro: “ninguém sabe o que mudo quer”. Já tomei conhecimento do pensamento de uma Ilustre professora da UFMT, que pelo menos teve a coragem de criticar a presença de algumas pessoas no seio da Academia Mato-grossense de Letras, estando eu entre os criticados, entretanto há vagas abertas e a ilustre professora fica albergada no seu casulo de saber e tem medo de enfrentar o crivo de uma Academia de Letras, porém tem coragem de criticar ! Direito que sempre respeitarei.
Com a coragem que meu pouco Academicismo promove, porém utilizando a idéia do apóstolo Paulo de que: “nada tenho mais o pouco que tenho lhe dou”, estarei desencadeando possível literatura regional, sob a temática ” Vida e Morte de Nha Tuca” e quero fazê-la, em várias publicações, pois as Nhas Tucas cuiabanas da vida existiram e estão a existir, principalmente nas periferias, onde o descaso com o ser humano e tão claro quanto o branco dos olhos dos negros. Ela veio ao mundo, até porque pobre não nasce, chega, ou é deixado cair, meio espantada e desconfiada de tudo, numa noite cheia de luar, onde o esplendor da rainha da noite, banhava o cerrado mato-grossense com sua cor plumbácea, soprada pela fresca da madrugada, onde o garnisé anunciava os primeiros raios do astro rei.Sua vinda ao mundo fora resultado de praticamente um estupro, perpetrado pelo coronel Salú, lá prás bandas da Usina Itaicí, quando o mesmo prestou sentido na negrinha de 17 anos de ancas largas e andar matreiro, com um lindo sorriso desnudando belos dentes cor de marfim, que mais alvos ficavam em contraste com a melanina da pele da jovem. Como disse, Cel Salú já tinha prestado sentido na negrinha e ao vê-la banhando-se no córrego, que languidamente lambia os capins, onde o gado vinha sempre da cristalina água beber, perdeu o sentido e colocou na cabeça que, aquela menina-moça seria sua. Ainda com os eflúvios dos mandatários dos engenhos, tinha ele na cabeça que era senhor absoluto de tudo que estava no limite das suas terras. E a visão despertou-lhe ainda mais a vontade de possuir aquela que para ele não passava de apenas uma negrinha há mais que, já tinha com ele se deitado. E a extinta nódoa do escravagismo, ainda alimentava o ar de prepotência, arrogância e machismo, as narinas do rude coronel. Mas ele não queria pegar Firmina, na marra, e para mistificar isto, promoveu uma noite de rasta pé na fazenda, em que a cachaça, o churrasco, o cururu, siriri e rasqueado, quebraram noite a dentro. Todos empregados foram convidados para da festa participarem, e certo que ele não perdeu a oportunidade para entronchar e encharcar a negrinha Firmina de cachaça, objetivando amolecer o seu intento. Até na pituca de cachaça, Firmina começou a se liberar mais, e a estratégia estava dando certo, pois afim de prepará-la para o coito, o Cel. Usou o procedimento que se toma no preparo do peru na véspera do natal. E não foi preciso mais doque aquela noitada para que Firmina se engravidasse, e em se engravidando, e para não manchar a honra do Cel., possuidor de largos bigodes avermelhados pela nicotina do paieiro, porém canalha até nas “grimpas”, fora ela, enviada para Cuiabá, para servir na casa do próprio coronel, que morava lá prás bandas do córrego “escorrega vê bunda” no Bufante, bem adiante do “Pai Toma”. E numa noite enluarada, onde os vira-latas uivam como lobos famintos, sentada dentro do córrego “escorrega vê Bunda”, deu ela um grito lancinante e tão alto, quanto a parição do Macunaíma, o grito do Ipiranga, ou o grito de parição dado pôr Debora Duarte em plena floresta de uma das novelas brasileiras ( Terra Nostra).


Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: