O humilde trovador das belezas de nossa terra

A poética do Sentimento Cuiabano – Volume I

Sentimento Cuiabano - I
Sentimento cuiabano:

Ah! Cuiabá musa querida,
Vou sempre deixar, na minha vida
Seu amor derramar,
Em quedas saltitantes
Qual cachoeiras vibrantes
Seu sentimento lavrar.

Deixe-me apenas mirar
A beleza do seu olhar.
Sentir seu calor.
Dormir, morrer, sonhar!
Moisés Martins.

Ruas de Cuiabá

Minha cidade tem todo tipo de rua que “Ocê pensá”
Do meio, de baixo e de cima.
Rios, córregos e montanhas,
E o famoso “Morro da colina”.

Parecem feias,
Mas são todas amadas,
Pelo senhor Bom Jesus de Cuiabá.

Não são tortas, disse o poeta.
Mas anguladas como os diamantes
O arco do índio,
Os bordados tropeiros nas redes trançadas.

Moisés Martins.

 

Canoeiro
Um rio sem canoeiro é um espaço vazio
Canoeiro, poeta cantor do rio
Com o rumo no compasso a embalar
Remo ritmado, rumo achando no rio-lar!

Canoeiro simples,
Reserva moral do homem macho
Tens o cheiro dos pacús, cacharas,
Pintados, piraputangas esguias
Do bagre e piranha, a ferocidade,
Do dourado a valentia.

Canoeiro esquecido, raça em extinção
Mas, mesmo assim serás lembrado.
No peito, alma, memória guardada
Como macho homem esteio de um rincão!

Que possam de ti imitar a tenacidade.
Que possam de ti aprender a natureza preservar
Que possam de ti no rebuscar, ver a bela Verde Cidade.
Que possam para te fazer dormir
O tempo no sono do verbo amar!
Moisés Martins.

PIRACEMA
BAILADO, BALET DO PEIXE NO CIO,
CONTRA A CORRENTEZA,
BUSCANDO A PRESERVAÇÃO.
SALTITANDO NO SIRIRI DO BAILADO
SOBEM RIOS, CACHOEIRAS
NA DESOVA DA PROCRIAÇÃO.
SOMENTE DEUS NA SUA SABEDORIA,
hE AS LANTEJOULAS DAS ESCAMAS DO PEIXE,
PODERIAM NOS PROPORCIONAR ESSE ESPETÁCULO
QUE SUA MAJESTADE DIVINA ANUNCIA!
AO REFLEXO DO SOL TROPICAL,
SÃO DIAMANTES SALTITANTES,
ABRINDO FENDAS NAS ÁGUAS BORBULHANTES,
QUAL CHAMPANHE DOS FOLIÕES
NO CARNAVAL!
MOISÉS MARTINS


PIXÉ

MILHO TORRADINHO SOCADO,
CANELA AÇUCARADA,
A BRANCA PURA DAQUELA GURIZADA
DO TEMPO DO CAMPO D’OURIQUE,
QUANDO A PANDOGA, O FINCA-FINCA
O BUSCAPÉ E O TRIQUE-TRIQUE
PINTAVAM O CÉU COM PINGOS DE LUZ
É TEMPO BOM
QUE NÃO VOLTA MAIS,
SÓ NA LEMBRANÇA DE QUEM FOI MENINO,
E HOJE É RAPAZ.
MILHO TORRADO BEM SOCADINHO
AH! QUE SAUDADE DO MEU TEMPO DE MENINO,
UM DIA AINDA VEREI EU TENHO FÉ
MEU NETO, MEU NETO
COM A BOCA TODA SUJA DE PIXÉ!
MOISÉS MARTINS.

REDE CUIABANA

REGAÇO AMIGO DO MEU DESCANSO,
ARMADA NO PONTO DE INTERROGAÇÃO,
NA ARROEIRA FINCADA.

PAIEIRO NA BOCA MATUTANO
CONTANO RIPA CÔ IMBIRA
NO PAU ROLIÇO AMARRADO!

MEU CORPO SE ACOPLA
NO SEU ABRAÇO AMIGO.
GOSTO DE ESPREGUIÇAR,
DESCANSO DO GUERREIRO,
CAFUNÉ POPULAR
FLOR DO TAMARINDEIRO!
BALANÇA REDE
VÊ SE ME EMBALA
NO ROQUE-ROQUE DA SUA CANÇÃO
TECIDA COM OS FIOS DA MINHA ILUSÃO.
MOISÉS MARTINS.

 

TCHUPA TCHUPA

Chegava no avião da Panair todo tocera,
Se instalava no “Grande Hoté”.
Viador digoreste,
Que nem curim-pam-pam na teipa.
Brilhantina “Roiar”no cabelo,
“SS” cento e vinte, terno branco,
Palácio das Águias, meninas do Candieiro.
Cochicho, chicho, ele chegou
De carne cô banana,
A Maria Izabé,
O maior comedô!
Óio de mamona no cabelo
Cinturita, raspa sovaco,
Oia no espeio, se apronta toda,
Prá passeá cô pau rodado.
Leva agente pro Coxipó
Chupa, chupa, esfola, esfola.
Slep, slep, que nem chicrete.
Chupa a gente que nem caju
Trepa, trepa, que nem chuchu!
Moisés Martins.

Pilão de Socá Sebo

Pilão de socá sebo
Só trabalha quando apanha,
Cacetada, rufa,rufa,
No interior da sua entranha.
Cinturita de menina
Leva pau e não reclama
Tufo, tufo, cheque, cheque
No balanço da pancada, tudo vai se ritmando.
No embalo da morena,
Coxa grossa, bunda grande, perna fina
Cinturita de pilão
Cinturita de menina.
Parecido cô nós dois
Que só vivemo brigano
E quanto mais tu me rufa,
Tanto mais vô te amando!
Moisés Martins.

 

Viola- de – Cocho

Viola-de-cocho, alaúde secular,
Geme no abraço caboclo,
Raízes de um povo,
Que sonha, canta, nunca deixa de amar

Corpo de mulher ribeira
Que chora no soluço da dor.
No arrepio das cordas nos dedos
Das mãos calosas do trabalhador.

Geme viola, geme
Pincha fora sua dor,
Geme viola, geme
Segue sua vida tropeira
Símbolo da cuiabania altaneira
Geme viola, geme,
Mostra ao mundo seu valor.
Moisés Martins.

 

Escama de Peixe

Escama de peixe,
Lentes reluzentes
Lantejoulas do carnaval
Arco-íris no corpo
Vestido de coral.
Escama de peixe
Da pera, pacu e curimbatá.
Vestimenta reluzente,
Na água corrente
Do caudaloso Cuiabá.
Levantar uma cambada
De peixe na imbira,
É como o espargir de um arco-íris que da alma tira
Reflexos do sol tropical.
Reflete escama reflete,
Com seu tom azul
Reflete, escama reflete,
Esparrame a luz
Do Centro Geodésico.
Moisés Martins

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Comentários em: "A poética do Sentimento Cuiabano – Volume I" (1)

  1. JOSÉ ROQUE disse:

    como faço pra adquiri esses cd do sentimento cuiabano…

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