O humilde trovador das belezas de nossa terra

A poética do CD “Sons, Tons, Serestas de Mato Grosso – Vol. I

SERESTEIRO

Letra e música: Moisés Martins.

Seresteiro rouxinol das madrugadas
Andarilho, cavalgando ilusões.
Trovador em busca da amada.
Poeta do tom, nos sons.

Campeador, laço na mão
Feito das cordas, cordas de um violão.
Que chora sem lágrimas derramar,
Do orvalho da noite, no seu lindo luar!

Seresteiro, amante do amar,
Banhando-se das brisas noturnas,
Que vagam, nas vagas dunas,
Areias do seu caminhar.

Sol noturno sorrindo
Lá do prateado do luar,

CONVERSANDO COM AS ESTRELAS

Letra e música de: Moisés Martins.

Resolvi conversar com as estrelas,
Nesta noite fria de esplendor.
Emprestei o sorriso da criança,
Calcei luvas de um velho amor.
Armei-me do verbo amar,
E com as estrelas comecei a conversar.

Diga-me por favor
Diga-me fonte de luz
De onde vem,
Qual a força que produz,
Esta intensa luz chamada amor.

Sonhos de solidão,
Povoados de paixão,
Que dos olhos refletiam.

 

 

FRASCO DE PERFUME

Letra e música de: Moisés Martins.

Você foi frasco de perfume,
Que caiu, partiu e se quebrou.
Você foi taça de cristal,
Que também caiu espatifou.

Você foi pedaços do mal,
Que na minha alma cacos deixou.
Você foi pedaços do mal,
Que na minha alma cacos deixou.

Mas mesmo assim,
Mas mesmo assim
O espaço perfumou
Mas mesmo assim
Minha vida você alegrou.
O frasco quebrou,
A taça espatifou,
Mas a essência do amor ficou!

ESTRADA DE SONHOS

Letra e música de: Moisés Martins.

Sonhe, enquanto a estrada está florida,
Pois não só de sonhos se tece a vida.
Quando estiver seca e sem flores,
E os sonhos sonhados são de dores.

Lembre-se, e não deteste este amor,
Pois até no chão bruto nasce flor.
Quando quiser um caminho bom encontrar
Venha para os meus braços me amar.
Lembre-se, e não deteste este amor,
Pois até no chão bruto nasce flor.

BANDINHA.
Homenagem à Mestre Inácio.
Letra e música de: Moisés Martins.

A lágrima a rolar,
Prá saudade lavar.
Ainda estou ouvindo
A bandinha tocar.
Hoje é Domingo, a bandinha vai tocar,
Lá no coreto, prá bugrada passear.
“Aufa” de gente, já está a esperar,
Mestre Inácio já me disse
Que vai botar prá quebrar!
Ai que saudade
Ai que me dá
Da minha bela
e querida Cuiabá.

Lambari na cuia, pititi e patatá
belas valsinhas, dobradinhos vão tocar,
belos rasqueados; rapariga da Guarita,
chifrando vento, este não pode faltar.
Ai que saudade
Ai que me dá
Da minha bela
E querida Cuiabá

ANDANÇAS PANTANEIRAS

Letra e Musica de: Moisés Martins.

Oh! Que lindas estas manhãs,
Neste imenso pantanal,
Com cheiro de tarumãs,
Passarada a revoar.

Pantaneiro deixa a choça
No caminho da roça
Para seu pão ganhar.

Seriema já cantou!
O seu canto matinal.
Cafezinho já tomou,
Quebra torto no embornal.

Carro de boi a rinchar,
Seu baio já arreou,
Paieiro a fumegar,
Seu onçeiro caçador.

Seu berrante a repicar,
Aquela bela canção,
Pelo mar a caminhar,
Onde a água é seu chão.

MENTIRAS DE PERDÃO

Letra e música de: Moisés Martins.

Você mentiu, se iludiu,
Pensando que me enganou.
O jeito agora é pedir perdão.

Se o perdão foi feito
Somente para perdoar,
O amor foi feito para amar.
O esquecimento é diferente,
Fica guardado na gente,
Pensando que não ficou,
A saudade lembradeira, um dia lembrou!

LOUCURAS DE AMOR.
Letra e música de: Moisés Martins.

Amor sem loucuras, não é amor!
É muito sadio sadio prá mim.
Eu que sou doente,
Muito carente, de amor sem fim.

Amor sem loucuras,
É nuvem que passa,
Pensamento que foge,
No tempo se esgarça.
Caravela sem vento,
Mar sem ondas, sem navegar.
Querendo e não podendo,
Vir à areia da praia, beijar.

Amor sem loucuras,
É beija-flor que não sabe sugar,
É apenas amor sem o sabor,
Do que realmente é amar!

POEIRAS DE AMOR

Letra e música de: Moisés Martins.

Cadê você,
Que me enganou,
Cadê você

Cadê você,
Que me largou,
Cadê você,
Cadê você,
Cadê você

Poeiras de amor
Fumaças de ilusão,
Lembranças de paixão
Que no tempo perdeu.

Quando eu quis, você me rejeitou,
Quando quiseste, o amor se acabou.

CHORINHO CUIABANO

Letra e música de: `Moisés Martins.

Eu fiz este chorinho
Prá você me esquecer.
Eu fiz este chorinho,
Prá lembrar-me de você.

Chorinho Cuiabano,
Prá você se remexer
Chorinho Cuiabano,
Socadinho prá você.
Chorinho Cuiabano,
Bem quentinho,
Prá você.

Eu quero ver
Eu quero ver
Eu quero ver,
Você se remexer.
Balançando o esqueleto, quero ver você.
Balançando o esqueleto, quero ver você.

CIDADE VERDE DOS MEUS AMORES.

Letra e música de: Moisés Martins.

Cidade de grata memória,
Página heroica da nossa história.
Casarões, igrejas, palmeiras imperiais.

Cidade verde como mudou,
Do belo que tinha, pouco ficou.

Cidade verde dos mangueirais,
Cidade verde da esperança,
Do meu tempo de criança
Que não volta mais.

Das pescarias lá na Prainha
Festa de Santo, das ladainhas,
Bola de meia, quitutes de fundo de quintais.

Cidade verde dos meus amores.
Tanque do Baú, Rua das Flores,
Passear no jardim,
Quando o jardim era dos amores!

COLO DE AMOR
Letra e música de: Moisés Martins.

Quero no teu colo repousar
Ouvir as batidas do teu coração.
Pois soubestes perdoar
As minhas loucuras,
Sem te pedir perdão!

Ensinaste-me o verdadeiro amor!
Mesmo sofrendo quieta, tua intensa dor.
Tinhas certeza que vencerias,
Armada da bela arma que é o amor!

Soubeste esperar, quando esperar,
Era a maior prova de amor!
Prova de amor!

Hoje vitoriosa, dá-me o colo prá curtir,
Minha malfadada dor
Minha malfadada dor!

UM DEDO DE PROSA COM SÃO BENEDITO.
Poema em homenagem ao homem do campo, no linguajar pantaneiro.
Composição de: Moisés Martisn.
Ele chegô! Cô chapéu de paia na mão,
Riscô o rosto na benzeção, jueiô, jueio no chão,
Cô seu Santo começou a cunversá.
Cunversa que há muito tempo queria,
Pois, há muito não via a purtunidade chegá.
Carça de brim camisa bremeia, xadrezada,
prá morde bunito ficá.
Num arrepare meu Santo proquê,
Bunito num sei falá.
Humildemente quero te pedi,
Proquê no intimo do isprito sinti,
Nicissidade de implorá.
A vida tá tão sufrida, luto desde guri,
Prá tê arguma coisa neste mundo de Deus!
Pia aí, santo Beniditinho, como eu negrinho,
Fio de escravo que tudo largô, pros outro ajudá,
Humilde na humildade do Santo, que sabe a lágrima limpá
Dos óios que choram pranto!
Óia Santo Beniditinho, aqui tô, juntano as mãos vô,
Pidino prá vós micê me ajudá.
Certo que, além de rezá, quero rasqueá, dançá um poquinho
Da festança aporveitá.
Sô meio refestelado, gosto da vida prá chuchu.
Sei levantá poeira, no siriri, rasqueado e cururu.
Óia que festança bunita, cô a Igreja toda infeitada de fita.
Cantadô, prá dá cô pau, tá certo que arguma vez
Aparece um bêbado meio lalau.
Mas…isto faz parte da festança.
Pois festa de São Benedito em Cuiabá, tem reza e cumelança,
E muita dança prá dancá.
Festa como essa só na nossa tradição daqui.
O povo fica alegre, cheio de fé, além de diverti.
As bandeira as ruas já correu, coieno esmola no nome seu.
Morde dinhero ranjá, prá mas bunita a festa ficá.
Entonce meu Santo negrinho, carregano o gurizinho Jesus
Que foi Santo, Belo, fio de Deus.
Falava só a verdade, mas ton somente por mardade,
Ponharam ele na cruz.
Morde pagá os pegados meus e seus.
Tô pidino cô fervô, prá vós micê me ajudá.
Num fartá chuva, quano a mandiocá e milho prantá.
Tomem saúde força revigorá,
E animo pró trabaio, prá prantá e coiê, morde barriga dosses t tudo enchê.
Acho que já pedi tudo cô fé!
Ah! Em tempo, tê peço São Beniditinho, prá agradecê prá Deus,
Que nunca erra, e escreve certo em linhas torta, morde nos tê ganho no furtebô e mandado todos aqueles branquelos alemão, prá casa de vorta.
Hum bom!…num esquece tomem da proteçào prá minha casinha de sapé, meus fios e minha muié.
Meu animá, principarmente o m eu cavalo báio.
Ademas, tô inô imbora, tirrim fecho o baláio.
I benção!

SENTIMENTO CUIABANO
Letra Moisés martins:
Ah! Cuiabá musa querida,
Vou sempre deixar na minha vida
Seu amor derramar,
Em quedas saltitantes,
Qual cachoeiras vibrantes,
Seu sentimento, lavar.
Deixe-me apenas mirar,
A beleza do teu olhar,
Sentir teu calor,
Dormir, morrer, sonhar!

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