O humilde trovador das belezas de nossa terra

Arquivo para fevereiro, 2011

Minha Casa Geminada

Minha casa geminada, qual a alma do meu povo
uma porta, uma janela,
de trancas e tramela.
Testada vermeia, azul amarela.
Feita de frente pro sol poente.
Calçada alta, prá tchuva escorrê.
Uma cancela que sempre geme,
Quando tchega tchgente!
Chão batido, no canto um pôte cô a bera quebrada.
Uma foinha na parede pendurada,
Cô a fotografia de São Jorge Guerreiro
Prá nos protegê,
De quebrantu, arca-caída e mau oiádo.
Minha casa não é só casa, minha casa e um lar
De braços abertos prá quem passar
De braços abertos prá quem chegar.”     MMM/Junior

Cuiabá de trancas e tramelas. Compilação de artigos publicados em jornais.

 

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Águas

Letra e música de: Moisés Martins.

ÁGUA É FORÇA
ÁGUA É AMOR
ÁGUA É VIDA
LÁGRIMAS DO NOSSO SENHOR!

ÁGUA DO POTE
ÁGUA DO RIO
ÁGUA DA BICA

ÁGUA DE CÔCO
ÁGUA QUE CORRE
ÁGUA QUE FICA

ÁGUA DE CHUVA
LAVANDO A SAUDADE
DOS ÓIOS
DA MORENA BONITA

AS ÁGUAS NASCEM NO COLO DAS SERRAS
CRESCEM NOS RIOS
SEMPRE A ROLAR
FECUNDAM A TERRA
BEIJAM CIDADES
MORRENDO NOS BRAÇOS DO MAR!

(primeiro lugar no festival de rasqueado de 2005)
recebendo prêmio de: primeiro lugar
interpretação
e arranjo.
Valor do premio: R$. 7.000,00 (sete mil reais)

Sinfonia chapada

Moisés Martins.

Chapada é uma orquestra
Interpretando sinfonias de amor!
Canta nas brisas que vasculham
Nas matas pauta palmas dos buritis e palmeiras.

No ritmo do chocalhar das cachoeiras,
No murmúrio dos corichos
Lambendo as palmas dos coqueiros.
O vento assobiando,
Pela fresta da casinha de sapé,
O choro do angico,
Fervendo água prá fazê café.

Canta no palco das suas cordilheiras,
Paredões, ecos, sons.
As cores do arco-íris, as asas das borboletas,
Vagalumes, propiciam a iluminação,
A iluminação, a iluminação!

O espírito da Chapada,
incorpora no espírito da terra,
Nas curvas das estradas, pelos vales verdejantes, vaga!
O Senhor é meu Pastor, nada me pode faltar!
O Senhor é meu Pastor, nada me pode faltar!

É a Sinfonia entoada, pela orquestra,
Regência terra mãe…
Melodia dos riachos…
Contralto das cachoeiras…
Da seriema o tenor,
Barítono do vento,
Baixo do trovão!
Sinfonia Chapada, dia e madrugada
Sinfonia Chapada, terra de todos os sons!

Tchupa-Tchupa

Moisés Martins

Chegava no avião da Panair todo tocera,
Se instalava no “Grande Hoté”.
Viador digoreste,
Que nem curim-pam-pam na teipa.
Brilhantina “Roiar”no cabelo,
“SS” cento e vinte, terno branco,
Palácio das Águias, meninas do Candieiro.
Cochicho, chicho, ele chegou
De carne cô banana,
A Maria Izabé,
O maior comedô!
Óio de mamona no cabelo
Cinturita, raspa sovaco,
Oia no espeio, se apronta toda,
Prá passeá cô pau rodado.
Leva agente pro Coxipó
Chupa, chupa, esfola, esfola.
Slep, slep, que nem chicrete.
Chupa a gente que nem caju
Trepa, trepa, que nem chuchu!

Pixé

Moisés Martins

MILHO TORRADINHO SOCADO,
CANELA AÇUCARADA,
A BRANCA PURA DAQUELA GURIZADA
DO TEMPO DO CAMPO D’OURIQUE,
QUANDO A PANDOGA, O FINCA-FINCA
O BUSCAPÉ E O TRIQUE-TRIQUE
PINTAVAM O CÉU COM PINGOS DE LUZ
É TEMPO BOM
QUE NÃO VOLTA MAIS,
SÓ NA LEMBRANÇA DE QUEM FOI MENINO,
E HOJE É RAPAZ.
MILHO TORRADO BEM SOCADINHO
AH! QUE SAUDADE DO MEU TEMPO DE MENINO,
UM DIA AINDA VEREI EU TENHO FÉ
MEU NETO, MEU NETO
COM A BOCA TODA SUJA DE PIXÉ!

O sol tá quente pra daná

Letra de: Moisés Martins.

O sol tá quente prá daná; tá, tá, tá, tá.
O calor tá de matá; tá, tá, tá.
Prá refrescá, oi,
Prá refrescá, oi.
Vou me banhá nas águas do Cuiabá.

Quando mergulho nestas águas,

Sinto o corpo arrepiar,
Lembro das belas viagens,
Que eu fiz a Corumbá.

Das chalanas preguiçosas,
Regiões do pantanal,
Do doce beijo das águas,
Cuiabá e Paraguai.

Dourado peixe,
Peixe dourado,
Vai dizer prá natureza,
Devolver o meu passado.

Furrundu

Letra de: Moisés Martins.

Furrundu doce do pau,
Do pau do mamoeiro
Até parece com uma dança,
Mas é só doce caseiro.

Rala, rala, raspa, raspa.
Esse pau todo grudento.
Rala, rala, raspa, raspa,
Esse pau que é alimento.

O leite que dele escorre,
Quando o pau é decepado.
Lembra um certo caldinho,
Grudento que nem melado.

O choro do pau no leite,
Que nem sentimento tém
O leite contigo fica,
A doçura comigo vem!