O humilde trovador das belezas de nossa terra

A Poética do Sentimento Cuiabano – Vol. III

Observação: todas estas peças poéticas, foram transformadas em composições, com a parceria do grande músico Pescuma.

CANÇÃO DA CIDADE VERDE
Moisés Martins

Vem prá cá, vem viver
Vem prá cá, vem sonhar
A esperança do verde, da verde cidade a cantar.
Verde tão verde quanto o verde do Mar.
Aqui te espera a felicidade de amar.

Vem conhecer,
Vem fantasiar,
as delícias desta cidade longe bem longe do mar,
Que sempre soube, no seu verde da esperança, esperar.

Embalando canções,
como crianças nas redes a ninar.

Vem viver,
vem sonhar
vem cantar
esta verde canção
que no Centro da América do Sul,
existe uma cidade verde, amarela,
com tom azul !

A história desta música:
Os CDs do projeto Sentimento Cuiabano,
Sempre possuem na sua abertura uma composição
Onde o romantismo se faz presente.
A Canção da Cidade Verde, neste trabalho
Representa o romantismo que nós compositores
Dedicamos à eterna Cidade Verde!

CANHANDO

Moisés Martins.

Porque você não vem
apaixonado estou,
morrendo de saudades Bis
por causa deste amor.

O amor é uma flor
que para não morrer
tem que ser regada
de carinho e bem querer.

Meu amor está morrendo
pedindo prá você,
regá-lo com carinho
para ele não morrer.

Agora fica canhando,
esse amor que voce plantou
Esse amor que era tão lindo
como um jardim em flor.
Mas por falta de cuidado,
veio o vento da saudade,
do jardim nada restou.

A história desta composição:
Sempre trabalhando com o linguajar cuiabano
Estamos revivendo a expressão (Canhando), que
Significa (Negar). Porém a expressão com aparência Chula
Reveste-se de uma beleza na sua homofonia e homografia.

PORVANO

Moisés Martins.
Em cada bairro
tem um chinfrim
um benzedô, um bulicho
uma morena cheirando a jasmim.

Guaraná que da morena
roubou a cor,
essa cor que enfeitiça
e enche a gente de amor.

[Bis] Morena daqui
é igual licor de pequi
Quando porva uma vez
tem que repeti.

A história desta composição:
também uma palavra que há muito não se faz ouvir
no doce linguajar cuiabano, principalmente nas regiões
ribeirinhas, onde a (PORVA), significa a primeira Prova,
amostra, do paladar das coisas: “Gerarmente quem porva
cabeça de pacu, num sai daqui”.

Capital verde da esperança!
Moisés Martins.

Cuiabá da Prainha,
Cuiabá do Mundéu
Andorinhas belas riscando o céu
com cores de luz, tons azuis
A Capital verde do SENHOR Bom Jesus.

Cuiabá sonho sonhado
ouro no solo agasalhado
capital do rasqueado.

Migrantes aqui vieram
em busca do eldorado
que ajuntando com os daqui
realizando o sonho sonhado.

Por isso Cuiabá é universal
solo de todas as raças, todas as crenças
da Amazônia o Portal
que deixou de sonho ser
na realidade do viver.

 

CUIABÁ DA PRAINHA, CUIABÁ DO MUNDÉU

A História desta composição:
O córrego da Prainha, que já foi piscoso
E de águas limpas, o “Bicho Homem” o transformou
Em esgoto, inicialmente a céu aberto, hoje fechado sob a
Avenida Cel. Duarte. Entretanto, enquanto logradouro público
Teve muita influencia na cultura urbanística de Cuiabá.
Não existe cuiabano “Chapa i Cruz” que não se lembre.
Por isto tentamos aprisioná-la com as algemas da poesia musicada!

Figa Vigê Votê

Moisés Martins.

Pialá Fiinha,
fungano no cangote de um sordado
diz que é moderna, toda refestelada
levantano poeira
no vai e vem do rasqueado.

figa, Vigê, Votê

Funga Fiinha, funga
A mágoa vai espantando
não espante cô tamanho
a coisa não é tão feia
como ocê tá imaginando.

Tem muita coisa na vida ,
que parece mais não é,
Pichebeque que reluz
no pescoço da muié.

figa, Vigê, Votê.

A História desta composição:
Expressão muito usual no dia-a-dia da cuiabanidade.
Por isto também a revivemos na tentativa da preservação
Da nossa cultura filológica, simples, porém marcante.

Caxumba

Moisés Martins.

Caxumba quando pega de jeito
o queixo do sujeito mata
Se desce pro saco
ocê vai pro buk … ta danado!

Num tem simpatia…
Ocê vai ficá no banco sentado!
Quando ouvi um gostoso rasqueado!

Eta cachumbinha digoreste
Que faz o saco cresce
É só dança de perna aberta
Que a cachumbinha danada,
Vai dançano com você !

A história desta música:
Há algum tempo atrás, havia determinada região,
Em Mato Grosso, onde imperava o “Papo” e a famosa rendidura.
Certa vez em campanha política, assisti a um rapaz recusar dançar com uma moça
Então lhe perguntei o motivo, ao que me respondeu: “Sou rendido”

 

 

De Bunda prá Lua:
Moisés Martins

Quando eu nasci
Minha mãe mostrou
Minha bunda prá lua
Banhei na bacia cheia de dinheiro!

Usei fita vermeia
E arrudinha no cabelo
Por isto sou tocera,
Gostosão e bem faceiro!

Tenho um olho torto
Outro o gato bigiano
Manco de uma perna
So ando manquetolano!

Ocê num tem nada
Quiço!
Ocê num tem nada
Quiço!
Cara de mamão macho
Bananinha de bulicho!

A história desta composição:
A cultura do cuiabano, “Tibi”, ou seja cheia de misticismo
E simpatias, entre as quais esta de mostrar a bunda prá lua
Quando o neném nasce.
E como queremos mostrar as “simpatias” e misticismo, efetuamos esta composição!

Coisa Feita!
Moisés Martins

Ocê é um rebotáio,
Bananinha de bulicho
Só casei memo cocê
Por morde do seu feitiço!
Galinha preta, vela vermeia
Finca charuto na encruzilhada, rebotáio de açougueiro!
Arroz de festa, você não presta!

Mas fazê o que, mas fazê o que?
O feitiço me pegô
Tenho que agüentá ocê!

História desta composição:
O chamado Congá, ou seja feitiçaria
Há algum tempo era praticado nos terreiros de umbanda
E Quimbanda, herança da raça negra que contribuiu
Na formação do povo brasileiro.
E nos casos amorosos alguns criam que ela tinha certo efeito
E que alguns cuiabanos a ela recorriam.

 

Roçano!
Moisés Martins

Ecá bebé, Ecá bebé!
Mamá na gata ocê num qué. (repetir)

Garra na minha cintura
pelo salão sai me arrastano
Com disculpa que ta rasqueano!

Ecá bebé, Ecá bebé!
Mamá na gata ocê num qué! (repetir)

O dia tá clareano
O baile já tá no fim
Ocê que nem carrapato
Agarradinha nu mim!

A história desta composição:
(Roçano) no linguajar cuiabano, é o ato de esfregar
ou atritar dois corpos.
Por ser uma palavra em desuso, onde a vernaculidade
Portuguesa é esquecida, para dar lugar ao linguajar vulgar,
Estamos a prendê-la nesta composição musical, com
Uma conotação constatada nos “Chinfrins” da cuiabanidade!

Capital verde da esperança!

Moisés Martins.

Cuiabá da prainha,
Cuiabá do mundéu,
Andorinhas belas riscando o céu,
Com cores de luz, tons azuis!
A Capital Verde do Senhor Bom Jesus!

Cuiabá sonho sonhado
Povo feliz abençoado
Ouro no solo agasalhado
Capital do rasqueado!

Migrantes aqui vieram,
Em busca do Eldorado
Que juntando com os daqui
Realizarão o sonho sonhado!

Por isso Cuiabá é universal!
Solo de todas as crenças e raças!
Da Amazônia o portal,
Que deixou de sonho ser,
Na realidade do viver!

A história desta composição:
Apesar de haver ficado por mais de dois séculos no ostracismo.
Cuiabá conseguiu romper as barreiras e fazer juz ao epíteto de a
Capital Verde. Sempre de braços abertos para receber todas as
Raças. Talvez residindo nisto a sua universalidade.
Em assim pensando, filosoficamente elaboramos esta composição
Musical.

 

Perdido no Pantanal!

Moisés Martins.

Coloquei chinelas no pensamento
Cavalguei competindo com o vento.
Vi sucuri enrolando
O sol o horizonte beijando,
Flores desabrochando
Enfeitando este lugar.
Queria e não conseguia
A mim mesmo encontrar!

Colhi uma pequena flor!
Cantei uma canção de amor!
Que de certa forma
Acalentou a minha dor!

Então pude me achar!
Onde estou, quem sou?
Prá onde vou, porque aqui estou?

Mirando no espelho d’água,
Vi no meu rosto a mágoa
Lágrimas dos olhos brotando
E Quando eu me vi chorando
Aí então me encontrei!

A história desta composição:
Perder-se no pantanal, é achar-se no meio da poesia!
E os dizeres da composição, muito bem retrata o espírito
Poético que envolveu o compositor!

Pantaneiro Amargurado

Moisés Martins

Já não se ouve mais por aqui,
O gemido da juriti,
O trinado das seriemas.
Foram mortas prá tirarem suas penas
Fazendo penas e mal ao meu pantanal!

Paraíso por Deus criado
Mas, pelo homem, pelo malvado
Porque ele se perdeu!
E Hoje ele é um coitado,
Vive amargurado, vive acabrunhado,
Vive machucado!

Sofrendo, embora vivendo
No paraíso que Deus lhe deu!

A história desta composição:
É o lamento do compositor pantaneiro,
Ao sentir a depredação perpetrada contra nosso Santuário Pantanal.
Esta composição talvez seja a forma mais amena de humilhar o
Depredador.

Sinfonia chapada

Moisés Martins.

Chapada é uma orquestra
Interpretando sinfonias de amor!
Canta nas brisas que vasculham
Nas matas pauta palmas dos buritis e palmeiras.

No ritmo do chocalhar das cachoeiras,
No murmúrio dos corichos
Lambendo as palmas dos coqueiros.
O vento assobiando,
Pela fresta da casinha de sapé,
O choro do angico,
Fervendo água prá fazê café.

Canta no palco das suas cordilheiras,
Paredões, ecos, sons.
As cores do arco-íris, as asas das borboletas,
Vagalumes, propiciam a iluminação,
A iluminação, a iluminação!

O espírito da Chapada,
incorpora no espírito da terra,
Nas curvas das estradas, pelos vales verdejantes, vaga!
O Senhor é meu Pastor, nada me pode faltar!
O Senhor é meu Pastor, nada me pode faltar!

É a Sinfonia entoada, pela orquestra,
Regência terra mãe…
Melodia dos riachos…
Contralto das cachoeiras…
Da seriema o tenor,
Barítono do vento,
Baixo do trovão!
Sinfonia Chapada, dia e madrugada
Sinfonia Chapada, terra de todos os sons!

A história desta composição:
Retrata o estado de espírito do compositor,
Ao ouvir a orquestra da natureza, Chapada!

Peixada cuiabana
Moisés Martins

Não dá prá descrevê
As delícias desta terra Bis
Que me viu nascê!

Peixada cuiabana,
Não precisa de dendê,
Somente limão, pimenta e cheiro verde.
Mojica de pintado, bagre ensopado,
Piraputanga assada, cabeça de pintado,
Ensopado de dourado, experimente prá voce vê
Lambari frito, estalado no dente dá o grito
Do atrito ao comê.

Chegou o pirão,
Chegou o pirão,
uma loirinha,
Bem geladinha.
Agora não falta nada não!

Mas… uma rapadurinha prá ficá mió de bom!

A história desta composição:
Após uma peixada e com a barriga cheia
“inté na grimpas”, a inspiração veio no arroto!
Desta composição, onde a peixada faz parte constante da vida do cuiabano!

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